Este blog tem como objetivo analisar, a partir de dados estatísticos, a incidência de casos do vírus da raiva no Brasil, principalmente no nordeste brasileiro, região que apresenta maior número de casos e mortes da doença, e explorar a relação de transmissão por animais domésticos e selvagens.

13 de jul de 2011

Tudo sobre a raiva!

            A raiva é uma doença com quase 100% de mortalidade. O diagnóstico da doença é quase sempre tardio, e pode ser feito por exames imunológicos da saliva ou do sangue. A maneira mais correta de prevenir a infecção é a vacinação contra o vírus da raiva em cães e gatos domésticos, e em casos de acidentes com risco de adquirir-se raiva, a vacinação deve ser realizada imediatamente.
            O início do quadro se dá por alterações de comportamento, inapetência, apatia, depressão, inquietude e incoordenação motora. Após, pode manifestar-se a fase furiosa, freqüentemente observada em caninos, onde o sinal mais marcante é a agressividade, embora possam ser também observados sinais de depressão, excitabilidade, mudanças de comportamento, insônia e, ocasionalmente, febre. O animal não consegue deglutir; a salivação, em função dessa dificuldade, torna-se evidente. Pode ainda ser observado um aumento do limiar de sensibilidade a tranquilizantes ou sedativos e, se anestesiados, os cães podem apresentar alucinações e convulsões no período pós-anestésico. Uma paralisia ascendente manifesta-se a partir dos membros inferiores. Na forma paralítica da doença, pode não haver sinais prévios de agressividade. O maxilar inferior é o local onde a paralisia é mais notável. A boca permanece entreaberta e ocorre salivação. Igualmente, sobrevém a paralisia dos membros posteriores. Ocasionalmente, pode ocorrer morte súbita do animal, sem a manifestação de qualquer sinal clínico. A morte se dá por paralisia dos músculos respiratórios.
            A maioria das infecções pelo vírus da raiva se dá por transmissão percutânea, através da mordedura de animais infectados. No ciclo urbano, as principais fontes de infecção são o cão e o gato. No Brasil, o morcego é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre. Outros reservatórios silvestres são: macaco, raposa, coiote, chacal, gato-do-mato, jaritataca, guaxinim e mangusto.




            O contato com ferimentos abertos e membranas mucosas pode ocasionalmente levar à transmissão da raiva, assim como procedimentos médicos. A literatura científica registra oito casos de raiva humana devido a transplante de córnea. Em todos, o diagnóstico nos doadores só foi realizado após o diagnóstico nos transplantados. Existe um relato de transmissão de raiva por via transplacentária e dois casos de transmissão inter-humana através da saliva.
            São raros os casos de pacientes com quadro confirmado de raiva que não evoluíram para óbito. A literatura médica registra apenas três pacientes que sobreviveram à doença. Um dos casos aconteceu no Brasil, com o menino Marciano Menezes, que durante quase um ano “morou” no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife.  Marciano não saiu ileso. A doença deixou sequelas, como a limitação de alguns movimentos. Marciano desenvolveu raiva porque foi mordido, na zona rural de Floresta, Sertão do Recife, por um morcego infectado e não recebeu soro antirrábico.


            O período de incubação é extremamente variável, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no homem e de 10 dias a 2 meses no cão. Em crianças, existe tendência para um período de incubação menor que no indivíduo adulto. O período de incubação está diretamente ligado a localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou contato com a saliva de animais infectados; distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral. É viável que se observe o animal, mesmo se este estiver sadio no momento do acidente, é importante que seja mantido em observação por 10 dias. Nos cães e gatos, o período de incubação da doença pode variar de alguns dias a anos, mas em geral é de cerca de 60 dias. No entanto, a excreção de vírus pela saliva, ou seja, o período em que o animal pode transmitir a doença, só ocorre a partir do final do período de incubação, variando entre dois e cinco dias antes do aparecimento dos sinais clínicos, persistindo até sua morte, que pode ocorrer em até cinco dias após o início dos sintomas. Portanto, o animal deve ser observado por 10 dias; se em todo esse período permanecer vivo e saudável, não há risco de transmissão do vírus.
            Uma vez inoculado no novo hospedeiro, o vírus pode replicar-se nas células musculares próximas ao local da inoculação antes de invadir o sistema nervoso central (SNC). Contudo, ocasionalmente, pode ocorrer a entrada direta no SNC, sem replicação prévia no músculo pela condução do vírus via terminações nervosas motoras aos nervos periféricos. Os sinais clínicos aparecem somente após o envolvimento do SNC. A morte é conseqüente ao comprometimento de centros nervosos vitais.
             Ainda que o risco de transmissão inter-humana seja baixo, é comprovada a eliminação de vírus pela saliva do paciente e sua presença em diversos órgãos, justificando a indicação do tratamento profilático das pessoas potencialmente expostas, devido ao contato direto com o paciente com raiva. Na maioria dos casos, a transmissão da doença ocorre através de cães e gatos também podendo ser acometida por morcegos, raposas, macacos, gambás e outros animais silvestres. Com o crescimento urbano desordenado, o ser humano está invadindo matas e florestas, locais que sempre foram o habitat natural de diversos animais, inclusive do morcego e cachorros do mato. Com isso, não são raros os casos onde os morcegos utilizam os forros das residências como abrigo ou local de descanso.
            Na América Latina, onde a raiva canina era endêmica até 1980, houve, recentemente, uma redução do número de casos em cães e, conseqüentemente, em humanos. No Nordeste do Brasil a doença tem sido cada vez mais freqüente, sendo a maior região atingida pela doença no país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário